Entre os dias 11 e 17 de maio, a vice-presidente do Poder Legislativo, Josiane Bedin, participou da missão oficial do Encontro do Gemellaggio, realizada na Itália. Conversamos com a vereadora para entender um pouco mais sobre a experiência que ela vivenciou.
O que representa para você participar desta missão oficial em Isola Vicentina como representante do Legislativo marauense?
Representar a Câmara Municipal de Marau nesta missão foi uma grande responsabilidade e também uma experiência muito significativa. Senti que estava representando a história de muitas famílias marauenses que têm suas origens ligadas ao Vêneto. Foi uma oportunidade de fortalecer vínculos culturais, históricos e institucionais entre as comunidades, além de compreender ainda mais as raízes que ajudaram a construir a identidade do nosso município.
Algum momento marcou de forma especial essa experiência?
Sem dúvida, um dos momentos mais marcantes foi a visita ao Monte Grappa e o contato com toda a reverência que os italianos têm pela sua história e pelos seus antepassados, além de ver no memorial nome de soldados com sobrenomes que temos aqui em Marau. Também me emocionou ouvir o talian sendo falado com orgulho e perceber tantos jovens envolvidos em manter viva essa conexão cultural. Eles faziam questão de falar o dialeto e não o Italiano Gramatical, o que tornava tudo tão familiar, com o jeito da nossa casa. Uma frase que ficou muito marcada para mim foi quando o vice-prefeito comentou: “O Gemellaggio funciona. É a primeira vez que vejo tantos jovens participando.
O Gemellaggio entre Marau e Isola Vicentina existe desde 2012. Na sua visão, qual é a importância de manter viva essa relação entre as cidades?
Pra além de um ato simbólico, o Gemellaggio representa uma ponte entre passado, presente e futuro. Manter essa relação viva é preservar a memória da imigração italiana, fortalecer o sentimento de pertencimento e criar oportunidades de intercâmbio cultural, educacional e comunitário entre as novas gerações. Quando os jovens passam a conhecer suas origens e compreender a trajetória dos seus antepassados, essa conexão deixa de ser apenas histórica e passa a ter continuidade no futuro. Essa relação com o Gemellaggio tem gerado frutos, Marauenses hoje estão empreendendo na Itália devido a este acordo das cidades irmãs, nesta viagem tivemos exemplos de reencontros familiares, negócios para alguns integrantes do grupo da missão, localização de túmulos e comuna dos familiares, além de fortalecimento dos jovens na abertura de possibilidades de continuidade do Gemellaggio.
Foram levadas algumas lembranças de Marau para lá. Qual foi a intenção por trás da escolha?
A intenção foi representar Marau com carinho, identidade e gratidão. Cada lembrança levada simboliza um pouco da nossa cultura, da nossa comunidade e do reconhecimento pela acolhida recebida. São gestos simples, mas que ajudam a fortalecer os laços de amizade e respeito entre os municípios e as pessoas que mantêm viva essa relação ao longo dos anos.
Todas as lembranças foram produzidas aqui em Marau, o trabalho artesanal entregue foi em feltro, um Leão de São Marco que tens uma simbologia muito importante para o Vêneto. Também foi entregue um tecido cru com bordado ligando Brasil e Itália, com a frase “Gemellaggio: a distância que nos une”, e além disso, uma sacola/mochila que simbolizava o nosso retorno até a Itália, um dia eles vieram com a “mochila” cheia de esperança e sonhos, e hoje voltamos até a terra de nossos imigrantes com uma mochila que simboliza a conquista dos sonhos deles, e a esperança de manter viva a cultura e a conexão Marau e Isola Vicentina.
Além do aspecto cultural, que aprendizados ligados à gestão pública e à participação cidadã você acredita que podem ser trazidos para Marau?
Um dos aprendizados mais importantes foi perceber como eles valorizam a preservação histórica, a participação comunitária, o envolvimento das novas gerações nas tradições e a seriedade do trabalho na vida pública. Também chamou atenção o sentimento de pertencimento da comunidade em relação à cultura local. Isso nos faz refletir sobre a importância de incentivar em Marau ações voltadas à memória, à identidade cultural, à educação e ao fortalecimento da participação dos jovens na comunidade e na construção do futuro do município.
Observei como eles são pontuais, organizados e educados. Como atuam fortemente nas casas quanto a separação do lixo, luta contra a violência da mulher, e muito incentivo no estudo de outras línguas e leitura desde o berçário. Outro ponto que me chamou atenção foi o estímulo para a utilização de bicicletas. Idosos inclusive se locomovem desta forma.
Por fim, a preservação do patrimônio cultural, arquitetônico e histórico é muito forte. Tem arte por todos os lados.